“O seguro não serve para nada”

Foi publicado no Nascer do Sol, na sua edição de 2 de abril de 2022, um artigo do Presidente da Direção da APROSE, Sr. David Pereira, que, pela sua importância e relevância a seguir se transcreve.

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“Os mediadores são especialistas em letras pequeninas para garantir que o seguro serve para alguma coisa. 

Podemos não ter números que confirmem, mas o título resume bem o que a esmagadora maioria dos portugueses pensa sobre os seus seguros: não servem para nada. Um lugar-comum dito e repetido inúmeras vezes. Vezes demais. E esta desconfiança dos consumidores tem boas razões de ser. Uma grande parte dos seguros são comprados como produtos enlatados, disponíveis em qualquer estabelecimento comercial: bancos, sociedades financeiras, postos de correio, concessionários automóveis ou agências de viagem. E como se isso não bastasse, evoluímos dos produtos enlatados para os produtos instantâneos: comprados em ‘três passos’, através de um ecrã ou pelo telefone.

Privilegiou-se a facilidade de acesso. Promoveu- se a convivência na compra e o resultado está à vista. Temos cada vez mais problemas. E cada vez mais desconfiança dos consumidores. E a verdade é que a maior parte dos portugueses faz seguros não porque acredita no sistema, mas porque os seguros são obrigatórios. Não porque olhem para os seguros como um investimento, mas como um custo. E a verdade é que todos, ou quase todos, já tivemos problemas com os seguros. E quando esses problemas acontecem remetem-nos para uma longa apólice, com letras pequeninas que nunca lemos, mas pagámos ao longo de anos.

Em Portugal, muitos dos seguros são vendidos sem aconselhamento, sem acompanhamento, sem pós-venda ou assistência. Muitas vezes sem independência porque quem vende é parte interessada e também parte pagante em caso de sinistro. Um conflito de interesses que prejudica os consumidores e a reputação de todos aqueles que trabalham no setor. E só existe uma receita para resolver este problema: transparência, independência e tempo. Sinónimos de uma contratação acompanhada e explicada com um mediador.

 

Transparência no tratamento da informação. Porque os mediadores são aqueles que leram mesmo as apólices, centenas de apólices.

Independência. Porque os mediadores não dependem de um salário pago por esta ou aquela seguradora.

E tempo. Porque os mediadores investem tempo na procura da melhor solução. Porque pensam no seguro no momento do sinistro e não no momento da contratação. Porque o mediador é a pessoa que lhe dá o seu número de telefone para ligar em caso de sinistro. Os mediadores são especialistas em letras pequeninas para garantir que o seguro serve para alguma coisa.”

 

Autor: David Pereira, Presidente da APROSE – Associação Nacional de Agentes e Corretores de Seguros

Publicado em Jornal Nascer do Sol a 2/04/2022

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